YOGA, VIDA NATURAL E ALIMENTAÇÃO

A atitude correta do homem diante da vida, sob o ponto de vista do Hatha Yoga, pode ser resumida em pouquíssimas palavras: vida simples, em permanente contato com a natureza, aprendendo a conhecê-la melhor, a obedecer sua leis e a colaborar com ela em sua constante ação criadora. Abundância de água , de sol, de ar. Passeios, exercícios e entretenimentos ao ar livre. Cultivo da terra, sob forma de pequena horta ou jardim. Deitar-se cedo e levantar-se com o sol. Alimentação simples e sadia, tipo exclusivamente vegetal. Não ter medo da solidão dos homens, nem da companhia de Deus...

Nos ensinamentos das diversas escolas de Yoga, é tradicional que a alimentação que o sadhaka deve ingerir precisa ser sattvica, Isto é, exclusivamente vegetal. Pois bem, antes de tomar qualquer decisão neste sentido é conveniente considerar duas coisas.

Primeiro, que na Índia, praticar yoga significa consagração completa a ele, fazer dele o centro de toda a vida do aluno. Não é uma prática complementar, mais ou menos importante, mas marginal. É converter-se num yogue. Daí o fato de que somente os que desejam dedicar-se completamente ao objetivo do yoga superior, podem considerar-se incluídos dentro desta norma dietética.

Em segundo lugar, é preciso ter-se em conta que no tipo de alimentação influem poderosamente, entre muitos outros, os fatores climáticos, a tradição cultural, o tipo de ocupação a que o indivíduo se dedica, etc. Assim, por exemplo, nos países muito frio não se pode prescindir, praticamente, de gordura animal, mesmo porque nesses países é habitual escassear ou faltar por completo muitos produtos importantes do tipo vegetal. Contudo, somente queremos observar que a questão do regime exclusivamente vegetal não é assunto tão simples como muitos entusiastas vegetarianos pretendem. Tampouco, sob o ponto de vista médico, está claramente definida a questão de saber se o regime vegetariano é superior ao misto.

Como estamos falando sob o ponto de vista do yoga, em relação com os princípios ou normas adequados para uma vida integralmente sã, resumiremos o critério que nos parece mais sensato, da maneira seguinte:

  1. Pelo fato de fazer um regime exclusivamente vegetariano, ninguém alcançará a perfeição física nem moral.
  2. Em determinadas etapas do trabalho interior sobre yoga, o regime exclusivamente vegetal parece ser inteiramente indispensável.
  3. Toda mudança brusca no tipo de alimentação, particularmente quando imposta por súbita decisão do discípulo, possivelmente pode produzir diversos distúrbios na saúde.
  4. Que toda mudança de conduta no mundo físico, para ter autenticidade e valor, há que surgir como conseqüência automática, sem esforço, de uma mudança subjetiva ou interior, real e estável. Mudam-se, então, as necessidades orgânicas e o gosto se desloca insensivelmente para o que corresponde ao novo estado.
  5. Que enquanto tal mudança não faz sentir sua presença, o melhor é cada qual seguir o mesmo regime alimentar que faz no momento, se observa ser ele bom para a saúde, ainda que seja aconselhável evitar toda espécie de excesso de alimentação e, especialmente, do seguinte:
    1. Bebidas alcoólicas.
    2. Carnes e pescados.
    3. Comidas fortemente condicionadas.
    4. Café, chá e fumo.
    5. Bebidas geladas ou quentes.

Texto retirado do livro: Fundamento e técnica do Hatha Yoga, traduzido por Antônio Blay. Título do original espanhol - Fundamento y Técnica del Hatha Yoga. Edições Loyola- São Paulo. 6ª edição. 1977. Pág 277.

Yoga é partidária da alimentação sadia. O alimento deve ser de fácil digestão, fornecer e não consumir energia e deixar o corpo e mente tranquilos, não deve deixar resíduos excessivos e nem fornecer produtos de transformação tóxicos.

Seja o seu alimento natural e simples.

As refeições devem ser feita lentamente e com a atenção concentrada aos pratos que se comem.